As tendências que o NFT NYC 2022 mostrou para o mundo cripto

Por João Kamradt

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O NFT NYC foi o maior evento cripto do ano. Mais de 16 mil inscritos e 1,5 mil palestrantes participaram do encontro de três dias na capital do mundo: Nova York. Divididos em quatro gigantescos lugares na Times Square, os participantes também tiveram mais de 180 eventos satélites que conseguiram apontar as principais tendências do setor de NFT para os próximos tempos. Aumento da escalabilidade para layers dois focadas em jogos, duplicação de ativos do mundo físico para o digital, seguro para os tokens não fungíveis, wallets que geram uma melhor experiência para o usuário não nativo cripto e simplificação do processo de criação, mintagem, compra e venda dos ativos foram apenas algumas das novidades que abundaram o evento. Ah, e claro, muitos jogos focados em proporcionar uma melhoria da experiência do usuário.

Nos três dias de evento, ficou ainda mais nítido que os NFTs vieram para ficar e que até o momento apenas se arranhou as possibilidades que esses ativos terão na vida cotidiana de milhões ou dezenas de milhões de usuários nos próximos meses e anos. Nós, da Projog, acompanhamos tudo in loco e compartilhamos agora com você. Por isso, esse texto aborda as duas formas que consumimos o evento: como entusiastas da disfunção que está ocorrendo e como Venture Capital em busca de oportunidades para investir em projetos empolgantes.

Começando inicialmente pela abordagem como Venture Capital. Durante os três dias de evento, nossa iniciativa previa conversar com todos os expositores presentes. Somente no hotel Marriott, haviam nove andares dedicados ao evento, sendo que ao menos cinco deles eram preenchidos pelos expositores. Então, o processo aqui envolveu ir até o estande de cada um, ouvir a explicação do protocolo, entender seu roadmap futuro, compreender as aplicações dele dentro do mundo cripto, ver em que estágio de financiamento estão e como isso se conecta com a visão de investimentos que temos. Este é apenas o início do processo de análise, mas serve para capacitar e aproximar investidor e desenvolvedor.

Além desse momento específico de captação, participamos de alguns eventos satélites que possibilitaram o contato com mais algumas dezenas de desenvolvedores. Um exemplo foi o Speed Dating realizado pela Blockchain Game Alliance (BGA). A BGA é uma organização nova, mas que concentra indivíduos dos principais jogos desenvolvidos na blockchain, assim como investidores de todo o mundo. Como integrantes da BGA, fomos convidados a participar de um encontro para ouvir desenvolvedores de jogos e suas ideias de produtos. Então, durante uma tarde, ouvimos mais de 30 propostas de jogos diretamente dos seus criadores.

Importante compreender que esses jogos ainda estão distantes do dia em que o consumidor terá acesso a eles. Como jogos ainda em estágio inicial de desenvolvimento, muitos deles consistiam apenas em uma apresentação de Power Point. Outros traziam um pequeno trailer. Nos casos mais evoluídos, havia um pequeno trecho jogável que servia como referência para o investidor de como o game se comportará no futuro. O investimento de VC nesse momento é altamente arriscado, já que são jogos com um longo caminho de desenvolvimento pela frente. Em contrapartida, também são os que trazem os melhores retornos. Por isso, um processo apurado e criterioso pode ser a chave para grandes lucros, obtidos através do fundo de investimento que montamos para esse tipo de oportunidade. Na Projog, desenvolvemos uma “esteira”, ou seja, o projeto precisa passar por várias etapas de análise, com diferentes analistas o estudando, para então receber o nosso investimento. O processo visa, logicamente, aumentar a assertividade das escolhas.

Voltando ao evento principal, ao todo, seja em eventos paralelos ou durante o NFT NYC, foram conversados com integrantes de mais de 250 projetos diferentes. De todas as conversas que tivemos, passamos para um segundo passo com 70 desenvolvedores, que agora estão compartilhando seus pitch decks conosco. Esse documento funciona como um passo a passo do projeto no futuro, indicando desde seus objetivos em relação ao desenvolvimento do protocolo ou jogo até as projeções de faturamento. Também costuma tratar da relação com o investidor. Todos esses documentos nos dão a certeza de que o desenrolar do NFT NYC durará mais algumas semanas para nós, já que envolve a análise de cada um desses documentos e eventuais processos de diligência para perceber quais contribuem para a nossa visão de análise e quais não.

Desses projetos, algumas tendências tornaram-se mais cristalinas: os NFTs serão uma ferramenta de disrupção de diversos aspectos sociais. Um NFT poderá representar uma casa e sua negociação poderá inviabilizar a existência dos obsoletos cartórios; outro NFT será usado como uma nota fiscal universal que poderá ser utilizado em qualquer lugar. Por sua vez, haverá ativos que serão duplicados do mundo físico para o virtual e vice-versa ou NFTs que também possam ser os ativos que guardam nossos dados pessoais.

Mas há um caminho para que tudo isso possa ocorrer. Até por isso, ficou claro que o foco no momento também está na construção da infraestrutura necessária para que tudo isso entre em prática. Há empresas criando ferramentas que simplificam o acesso, pagamento, custódia, seguro e transações desse tipo de ativo. Outras que querem auxiliar projetos NFT na entrega do merchandising do mundo físico, assim como várias que buscam criar uma layer 2 ou até mesmo 3 para facilitar as milhares de dezenas de transações simultâneas que irão ocorrer durante um jogo.

A Immutable X é uma delas. Mais consolidada e num estágio de desenvolvimento bem mais avançado, ela aproveitou o NFT NYC para lançar oficialmente o Immutable Studios, que é o braço da empresa para o desenvolvimento de jogos de alto rendimento. Aqui, como foi dito pelos desenvolvedores, o foco é fazer o mesmo que já foi feito com Guild of Guardians. Ou seja, atrair estúdios de games e entrar como parceiros diretos no desenvolvimento dos jogos, investindo dinheiro e também cedendo mão de obra que facilite a integração dos jogos com a blockchain. Para tanto, a empresa vem contratando mão de obra especializada em games de empresas como Riot, Blizzard, entre outras. Além disso, outra iniciativa da empresa vem sendo aumentar o time de parceria, gerando um contato mais direto entre a empresa e projetos que utilizam a plataforma para lançar suas coleções de NFT.

Se a experiência como um Venture Capital trouxe inúmeras possibilidades de ativos futuros, como entusiasta do mundo cripto, a experiência compartilhada foi extremamente positiva. Não houve sinal de bear market. Ao contrário, os sinais emitidos foram de que o futuro está sendo construído. Nessa ótica, a queda do mercado atual é vista como parte de um processo maior, na qual agora há um refluxo das ações que será acompanhada de um ciclo de desenvolvimento que levará a um novo bull run. Do mesmo modo, as relações estabelecidas no mundo digital por meio de IRLs foram traduzidas em contatos físicos. Então, parte importante do encontro foi estreitar as relações com os indivíduos que vivem ativamente esse ecossistema.

Outra coisa interessante do evento também foi poder jogar demos de games em desenvolvimento. Assim, se de um lado foi decepcionante que jogos como Axie Infinity, Ember Sword, Star Atlas, Mobox e Aurory não tenham tido nenhuma presença no evento, foi muito interessante poder jogar My Pet Holligan e Mythical Protocol. O primeiro surgiu como uma coleção de NFTs e rapidamente avançou para um jogo de mundo aberto em que coelhos armados até os dentes lutam uns contra os outros. Com integrantes da Pixar e Xbox no time, o jogo tem um mundo aberto com belos gráficos, jogabilidade muito fluída e já roda perfeitamente no video game da Microsoft. Inclusive, os desenvolvedores querem inserir o jogo no Xbox por meio do Game Pass. Por sua vez, Mythical Protocol oferece um FPS com jogabilidade razoável e com gráficos ainda em construção. Mas ambos buscam, antes de pensar em aspectos econômicos, oferecer uma jogabilidade agradável ao player.

Além dos jogos, o NFT NYC também contou com inúmeras festas das mais diferentes coleções. Desse modo, todas as maiores coleções de NFT do mundo aproveitaram os dias do evento para oferecer aos seus holders, os próprios eventos. Por isso, os projetos da Yuga Labs (BAYC, MAYC, CryptoPunks e Meebits) contaram com uma festa com show de Snopp Dogg e Eminem; Doodles aproveitou o evento para oficializar Pharrell Williams como seu diretor de marca. Ele também assume como membro do conselho e também é o produtor executivo da Doodles Records: Volume 1. A Cool Cats, por sua vez, mostrou uma experiência de busca imersiva e gamificada. Por fim, a GoblinTown deu uma festa da marca, onde eles deram cheeseburgers para o público.

Diante de todos esses pontos, as 1,5 mil palestras do evento acabaram empalidecendo um pouco. O maior problema é que a curadoria focou mais na quantidade do que necessariamente na qualidade. Isso fez com que os 10 minutos em tese para cada convidado acabassem sendo muito pouco para muitas palestras. Isso é um ponto necessário para amadurecimento dos próximos eventos.

O NFT NYC foi o maior evento do gênero. Grande, suntuoso e com inúmeras oportunidades. Clareza da onde o mercado está caminhando, oportunidades e contato com indivíduos que até então eram apenas uma IRL. Mas principalmente, a certeza de que a utilização dos NFTs na sociedade está apenas começando e ainda nem arranhou nenhuma pequena fração do seu potencial. Para a Projog, foi um elemento de confirmação do potencial do mercado assim como do futuro do negócio. Então, se não quer perder as principais movimentações do mundo cripto, continue nos acompanhando.

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Somos um fundo de Venture Capital e uma research brasileira. Construímos teses de investimentos em torno da Web3. Estamos de olho em como a tecnologia blockchain reimagina maneiras pelas quais o “capital” pode ser transmitido e o “valor” cultivado. Na Projog, acreditamos que os criptoativos representam uma mudança de paradigma na relação como humanos e dispositivos se organizam, colaboram e consomem. Nossa crença no futuro descentralizado nos torna mais que investidores, mas parceiros na construção das empresas que integram nosso portfólio.

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