The Merge: a maior atualização da história do mercado cripto

Por Henrique Ayello

Quer ter acesso às informações mais quentes do mundo cripto logo no começo do dia, todos os dias, na caixa do seu email? Cadastre-se gratuitamente na nossa newsletter!

A rede da Ethereum passará nos próximos meses pela maior atualização de sua história. Para um investidor, é de extrema importância entender como ela vai impactar o ecossistema em termos de usabilidade e na política monetária dos tokens ETH, pois só assim é possível se ter tranquilidade em momentos de grandes quedas, e além disso, usá-las a seu favor.

O momento do mercado hoje é bem delicado. Ativos como BTC e ETH se desvalorizaram cerca de 70% e 78% respectivamente em relação às suas máximas históricas. Agora é o momento de deixar o viés emocional de lado e nos apegarmos em teses sólidas de investimentos baseadas em fatos, e não em especulações. Um bom investidor sempre deve estar atento às oportunidades, e em um momento como esse é essencial a análise dos fundamentos para uma tomada de decisão consciente pensando a longo prazo.

Muito desse contexto atual se deve ao cenário macroeconômico que estamos vivendo, de políticas monetárias restritivas com o objetivo de controlar a inflação, que vem crescendo. Diferentemente de alguns anos atrás, agora esses fatores determinam preço no mercado cripto, visto que há uma grande correlação do bitcoin com a Nasdaq por exemplo. Isso confirma a tese de que as criptos são vistas pelos investidores mais como um ativo de risco do mercado de tecnologia, do que como reserva de valor.

Porém, se formos analisar a infraestrutura de rede de certos ativos (como o Ethereum), ou seja, sua tecnologia, segurança, princípios, fundamentos, estes estão mais sólidos que nunca. Além disso, algumas métricas como a quantidade crescente de novos desenvolvedores e a aproximação do evento de atualização mais importante de sua história reforçam a ideia de que tudo caminha conforme o esperado, independente da volatilidade no preço de tela dos tokens causado por fatores externos.

A rede da Ethereum é a maior do setor de contratos inteligentes. Setor esse que vem ganhando cada vez mais notoriedade, proporcionando muito mais casos de uso práticos do que apenas um meio de pagamento. Hoje a rede é considerada a melhor e mais segura plataforma do setor (de contratos inteligentes), servindo como infraestrutura para que diversas aplicações possam ser desenvolvidas em cima dela. Mas apesar de sua utilidade, a rede ainda deixa a desejar em alguns quesitos. Altos gastos energéticos para fabricação de novos blocos e uma falta de escalabilidade com elevadas taxas de transação são alguns pontos que precisam ser aprimorados para que a rede expanda mais e atraia novas aplicações, permitindo o desenvolvimento do ecossistema como um todo.

Em busca de solucionar esses e outros problemas, há algum tempo está sendo elaborado um conjunto de atualizações da rede, dividido em etapas. O objetivo com isso é aumentar a eficiência, escalabilidade e usabilidade da rede e melhorar a política monetária do token ETH. A princípio o conjunto estava sendo intitulado como “Ethereum 2.0”, porém a própria Ethereum Foundation com o tempo percebeu que esse não era o termo mais adequado e decidiu por não utilizar mais essa nomenclatura. Por comodidade, ainda utilizaremos o termo neste texto.

O “The Merge”

A primeira etapa desse conjunto de atualizações deve ocorrer dentro de alguns meses, e está sendo pensada há anos. Como podemos observar na imagem abaixo, o “The Merge” (a fusão) basicamente é um processo de fusão de duas blockchains distintas, a rede da Ethereum que conhecemos hoje com a Beacon Chain (uma blockchain desenvolvida especificamente para essa atualização). O objetivo é mudar a forma como os blocos de transação são validados, e isso será feito a partir de uma substituição do algoritmo de consenso atual (Proof of Work) para o de Proof of Stake. Esse processo vai ocorrer de tal forma que a camada de execução se mantenha a mesma de hoje, e a camada de consenso da Beacon Chain seja incorporada.

O processo do “The Merge”

Fonte: Coindesk

Proof of Work vs Proof of Stake

Com o mecanismo de consenso Proof of Work (também utilizado pela rede do Bitcoin), a validação de novos blocos da rede é feita através da mineração. Os mineiradores utilizam poder computacional para resolver problemas matemáticos de criptografia, em troca de uma recompensa. É um processo que exige, além de equipamentos adequados, um alto gasto energético.

O Proof of Stake, por outro lado, ao invés de utilizar o processo de mineração, funciona de forma que os validadores da rede precisam possuir uma boa quantidade em criptomoedas, e trava-las como garantia de que estão validando corretamente as transações. As vantagens desse mecanismo são basicamente o menor gasto com energia e menos poder de processamento necessário. Ou seja, é mais escalável e mais barato, mas em contrapartida é um método mais recente, portanto menos testado e consolidado.

Onde estamos atualmente?

Esse processo de transição do algoritmo de consenso já foi adiado diversas vezes justamente para que tenham certeza de que tudo ocorrerá conforme o esperado no momento da atualização na rede oficial. Foram feitos alguns testes em redes paralelas, incluindo cinco shadow forks, e estamos prestes a passar pelo segundo de três testes em testnets. O primeiro dessas testnets foi a rede Ropsten, que aconteceu dia 8 de junho deste ano e ocorreu de forma satisfatória, com apenas pequenos bugs nada preocupantes. As próximas duas testnets, Sepolia e Goerli, tendem a ocorrer até o mês de agosto deste ano, visto que é essa a previsão atual de fusão da rede principal.

Fonte: Wenmerge.com

Próximas etapas pós “The Merge”

O “The Merge” é apenas o primeiro passo do conjunto de atualizações propostas. Após ele ser concluído com sucesso, o foco será uma etapa intitulada “The Surge”. Basicamente dessa vez o objetivo é focar na escalabilidade da rede, e a previsão é que isso ocorra em 2023.

Para isso, a ideia é implementar um modelo de shardings e transformar a estrutura de sua blockchain de monolítica para modular. Isso fará com que o processo de execução linear de novos blocos em forma sequencial (em que um bloco só é criado quando o anterior já foi processado), seja modificado para um modelo de processamento paralelo e simultâneo de blocos dentro dos diversos shards existentes.

Na prática isso tornará a rede menos congestionada. A disputa das transações pelo espaço nos blocos será menor, e consequentemente tende a reduzir o valor das taxas cobradas. Isso em complemento com a tecnologia dos Rollups de soluções de segunda camada, tendem a resolver esses problemas crônicos de escalabilidade da rede.

Diferença de uma blockchain monolítica para uma blockchain modular

A ideia é que existam inicialmente 64 shards conectados à rede principal, porém com a possibilidade de escalar para quantos forem necessários. Como pode-se observar na imagem acima, a camada de execução passa a ser diretamente nos shards onde as soluções de rollups ficam, assim como a camada de armazenamento dos dados. A camada de consenso continua sendo compartilhada pelo conjunto como um todo.

Em teoria, a atualização dos shardings resolve o “trilema das blockchains”. O trilema é a teoria de que entre os três quesitos: escalabilidade, segurança e descentralização, uma blockchain consegue desenvolver apenas duas dessas características de forma satisfatória. Porém essa é uma visão um pouco simplista, e após a atualização outras coisas deverão ser pensadas, como na questão da composabilidade dos dados. Isso é, a integração das informações dos diferentes shards, coisa que antes era feita de maneira linear, em uma única camada de blocos.

Além dessas duas fases da atualização mencionadas, o conjunto todo da Ethereum 2.0 engloba as fases “The Verge”, “The Purge”, e “The Splurge”. Elas envolvem pontos mais técnicos e ainda levarão um tempo para serem implementadas, portanto não serão mencionadas com maior profundidade, porém podem ser conferidas com mais detalhes aqui.

Política monetária do token ETH e mudanças com atualizações

Por ser um ecossistema descentralizado, sua governança tem que ser desenvolvida a partir de discussões da própria comunidade, e posteriormente aprovadas pela maioria. Essas sugestões de novas ideias são formalizadas através do que chamamos de EIPs (Ethereum Improvement Proposals).

Em agosto de 2021 por exemplo passamos pela EIP 1559, que não faz parte do conjunto da Ethereum 2.0, porém impactou de forma drástica a política monetária ao implementar o modelo de queima de tokens, ajudando a reduzir sua oferta circulante. Parte das taxas de gás que antes iam para os mineradores, agora passam por um processo de queima, onde são tirados de circulação permanentemente.

Fonte: Hackernoon

Diferentemente do BTC, os tokens ETH não possuem uma oferta circulante máxima ou total, sendo que a variação da quantidade de ETH existentes é determinada pela diferença de novos tokens emitidos e queimados. Segundo o CoinMarketCap, hoje existem aproximadamente 121,28 milhões de ETH em circulação, crescendo em uma quantidade aproximada de 3.3% ao ano. Após o “The Merge”, isso mudará, e passará a ter uma redução da oferta em 0,7% ao ano. Com isso a rede se passará de inflacionária para deflacionária.

Levando em conta uma demanda crescente pela rede, partindo da premissa que além de novas aplicações que surgirem as já existentes fiquem mais utilizadas, isso por si só pode gerar um aumento de preço do token. Com esse simulador do The Merge, é possível ter uma melhor dimensão do impacto.

Basicamente a mudança do algoritmo de consenso traz três principais pontos que impactam diretamente a política monetária:

- Desincentiva os validadores a venderem suas recompensas. Antes isso era necessário para bancar custos operacionais, que passarão a ser extremamente menores com a mudança do algoritmo de consenso.

- Incentiva os validadores a capturarem cada vez mais tokens para staking; quanto mais tokens em staking, maior a recompensa do validador.

- As emissões de novos tokens por blocos validados serão reduzidas em 90%; recompensas diárias de tokens passarão de 12.800 ETH para 1.280 ETH; equivalente a 3 halvings do BTC de uma vez só.

Com a ciência desses fatos descritos, tudo indica que a combinação dos três fatores: menor emissão de tokens, diminuição da pressão de venda e aumento da demanda, mudará drasticamente a forma como conhecemos o tokenomics do ativo. Levando em conta seu preço atual, tudo indica que esse valor todo ainda não foi precificado pelo mercado.
*Vale lembrar que isso não é uma recomendação de investimento.

Nós da Projog acreditamos que os fundamentos da rede se mantêm extremamente sólidos, e as futuras atualizações pretendem ser uma grande destrava de valor tanto da rede quando do ativo ETH. Em relação ao token em si, acreditamos ser uma das maiores assimetrias entre preço e valor do mercado cripto atualmente. Mesmo com a recente queda de preço, mantemos nossa visão com base em nossa tese de investimentos e nos fundamentos do ativo para o longo prazo.

SOMOS A PROJOG!
Somos um fundo de Venture Capital e uma research brasileira. Construímos teses de investimentos em torno da Web3. Estamos de olho em como a tecnologia blockchain reimagina maneiras pelas quais o “capital” pode ser transmitido e o “valor” cultivado. Na Projog, acreditamos que os criptoativos representam uma mudança de paradigma na relação como humanos e dispositivos se organizam, colaboram e consomem. Nossa crença no futuro descentralizado nos torna mais que investidores, mas parceiros na construção das empresas que integram nosso portfólio.

JUNTE-SE A NÓS!
Se você gosta do que estamos fazendo e quer fazer parte da nossa comunidade, junte-se às nossas redes! Estamos ansiosos para conversar com todos vocês, compartilhar nossas teses de investimento, educar e discutir ideias.
Site |Discord | Instagram | Medium | YouTube | Linkedin | Grupo gratuito

--

--

Somos um fundo VC e uma research brasileira. Acreditamos que os criptoativos representam uma mudança de paradigma na forma como humanos e dispositivos interagem

Love podcasts or audiobooks? Learn on the go with our new app.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store
Projog

Projog

Somos um fundo VC e uma research brasileira. Acreditamos que os criptoativos representam uma mudança de paradigma na forma como humanos e dispositivos interagem